Gestão baseada em potencialidades
Como identificar, mobilizar e desenvolver contribuições neurodivergentes sem romantizar diferenças nem reduzir pessoas a diagnósticos.
Evidências sobre neurodiversidade traduzidas para quem lidera, pesquisa e transforma organizações.
Entre a evidência científica e a realidade do trabalho existe uma distância que precisamos reduzir.
O Brasil possui uma produção científica relevante. De acordo com o Manifesto Bori (Bori, n.d.), o país está entre os 15 maiores produtores de conhecimento do mundo, posição que pode ser acompanhada em rankings bibliométricos internacionais, como o SCImago Journal & Country Rank (SCImago Lab, n.d.). Entretanto, produzir conhecimento não é suficiente: para gerar impacto, a ciência precisa circular, ser compreendida e incorporada às decisões e às práticas sociais e organizacionais.
Uma parcela importante desse conhecimento ainda permanece concentrada em artigos científicos, bases especializadas, eventos acadêmicos e textos de linguagem técnica. Essa distância dificulta sua apropriação por profissionais, gestores, organizações e pela sociedade. Em outras palavras, temos uma ciência relevante, mas que muitas vezes permanece “trancada” na academia.
No campo da neurodiversidade no trabalho, esse desafio é especialmente importante. Embora o tema esteja ganhando espaço nas organizações, o debate público ainda é atravessado por simplificações, conceitos imprecisos, discursos corporativos e recomendações nem sempre sustentadas por evidências. Ao mesmo tempo, estudos capazes de orientar práticas mais inclusivas, éticas e eficazes nem sempre chegam às pessoas que tomam decisões sobre recrutamento, liderança, desenvolvimento, desenho do trabalho e progressão de carreira.
É para ajudar a reduzir essa distância que existe o Notas de Gestão, especificamente os tópicos sobre Neurodiversidade no Trabalho — originados da minha pesquisa de doutorado — como ciência aplicada. Este espaço busca identificar, interpretar e tornar acessível o conhecimento científico sobre neurodiversidade no trabalho, conectando resultados de pesquisas aos problemas concretos enfrentados por profissionais e organizações.
As tecnologias digitais ampliaram as possibilidades de acesso à ciência, mas também criaram novos desafios. Conforme observam Baracat De Grande e Oliveira (2025), a divulgação científica contemporânea precisa responder às demandas de acessibilidade e interatividade sem comprometer a profundidade e a confiabilidade dos conteúdos.
Por isso, este espaço adota práticas de retextualização e recontextualização: conceitos, teorias e resultados acadêmicos são apresentados em linguagem mais clara e relacionados a situações organizacionais reais, preservando suas fontes, limites, incertezas e complexidades. Não se trata de oferecer receitas rápidas, mas de traduzir evidências com responsabilidade.
Entre o artigo científico e a prática organizacional existe um trabalho necessário de interpretação, conexão e aplicação. É esse espaço que o Notas de Gestão busca ocupar: fazer a ciência circular para qualificar debates, orientar decisões e contribuir para ambientes de trabalho nos quais as diferenças neurológicas sejam compreendidas, respeitadas e efetivamente mobilizadas.
Eixos editoriais
Quatro lentes para compreender como a neurodiversidade é reconhecida, mobilizada e sustentada nas organizações.
Como identificar, mobilizar e desenvolver contribuições neurodivergentes sem romantizar diferenças nem reduzir pessoas a diagnósticos.
O papel de gestores, segurança psicológica, desenho do trabalho e relações cotidianas na experiência de inclusão.
Quando práticas deixam de ser iniciativas isoladas e passam a integrar rotinas, métricas, aprendizagem e governança.
Achados científicos traduzidos em perguntas, critérios e decisões úteis para organizações e profissionais.
Publicação em destaque
Por que contratar pessoas neurodivergentes não basta — e o que precisa acontecer para que talentos individuais se convertam em capacidade organizacional.
Ler análiseNosso compromisso editorial
Partimos de pesquisas, revisões e debates acadêmicos relevantes.
Preservamos limites, contexto e divergências presentes nas evidências.
Transformamos achados em perguntas e implicações úteis para a gestão.
Pesquisa · Ensino · PráticaQuem pesquisa e traduz
Professor de Administração no Instituto Federal do Maranhão. Mestre em General Management (M.A.) pela School of International Business and Entrepreneurship (SIBE) da Steinbeis University Berlin (Steinbeis-Hochschule), na Alemanha, e doutorando em Contabilidade e Administração pela FUCAPE Business School.
Pesquisa neurodiversidade no trabalho, gestão baseada em potencialidades e os mecanismos que permitem — ou impedem — que diferenças individuais se convertam em capacidade organizacional.
Neste espaço, aproxima produção científica e prática de gestão para apoiar organizações mais conscientes, estratégicas e inclusivas.